A M O R T A L
Eu andava distraído numa tarde quente qualquer...
Pulando, vão em vão, por entre as nuvens carregadas.
Cada passo errado era um relâmpago dentro de mim.
Espantado, ouvia a reclamação em forma de trovão;
Só uma questão de tempo até a chuva cair e inundar meus olhos...
Nada que um ser desprovido de poderes consiga evitar.
Eu despretensioso, com o olhar pro nada, logo fui ferido pelo tal cupido,
que ainda riu malicioso de minha cara desesperada.
"Você ainda não morreu", assim me falou, o neto de Zeus.
Quem às vezes não sabe o que busca, fica refém dos desatinos infantis, vulgo acaso;
É um carnaval amortal abrindo o mês de agosto.
Quem disse que eu precisava de uma serendipidade armada por uma divindade?
Esqueci, ainda que por um instante, de uma dor interminável...
A soma do caos com o amor bagunçando o cenário desarrumado.
Eros fazendo uso de seu brinquedo preferido inspirando e confundindo suas vítimas...
Um amor tal que não tem som nem imagem.
Lá no fundo, a gente sorri... depois chora; se arrepende e depois se inspira de novo.
Coisas de quem tá vivo, mesmo sem acreditar na respiração.
De um jeito óbvio, um coração que se abre é para derramar sangue;
O líquido é bom e precioso; pode até salvar vidas perdidas...
Isso quando a mortal ansiedade não o bombeia pro além.
Foi bom, enquanto durou; foi mágico e eterno na memória... até agora pouco.
Pelo menos eu troquei a sepultura carcomida por uma que faz meu corpo se mexer.
De um jeito estranho, resta a mim agradecer aos anjos pelo rombo deixado por suas traquinagens.
terça 28 de janeiro - quarta, 29 de janeiro - terça, 04 de fevereiro de 2025