ROSAS CINZAS [reedição]
Sabe aqueles dias em que o relógio fica morto,
a hora quase para e a agonia acelera?
O sol queima sem aquecer...
a noite vem mais cedo para antecipar o desespero;
é a lua, nova, se ocultando de mim...
inflamando meus anseios
nessa velha situação de não poder estar contigo.
São aqueles dias em que o poeta acorda sem inspiração...
faltam letras, palavras... falta ela;
o labirinto é sem saída e o abraço vem do chão.
São as horas em que as rosas ficam cinzas
e os espinhos se avermelham.
Infeliz momento
em que a mão agarra o sofrimento;
mas a angústia está no peito
e nada para...
para dar um jeito.
É o chão se abrindo e o firmamento desabando;
é a arma mirada para o espelho...
e o dedo sem força nem coragem para ouvir o disparo.
É o coração penando de amor,
são os lábios sedentos de beijos,
o rosto carente de carícias...
corpo ardendo de desejo
pelo perfume da flor que perdeu o cheiro.
É tudo isso multiplicado ao nada do que está aqui...
dias em que, pura e simplesmente,
a saudade domina o coração
e os sentidos silenciam ante as súplicas da vida.
É uma pétala atirada ao chão
que não vinga nem brota...
só seca.
É o tempo congelado
naquele instante em que me disse adeus.
Maximiniano J. M. da Silva - domingo, 05 de Abril de 2009
Max Moraes - quarta, 27 de novembro de 2024